As mensagens do IGP-M de fevereiro não são zero animadoras para o governo, que procura uma saída para a pressão dos alimentos. As que vêm do campo, no entanto, são melhores.
Os produtos agropecuários tiveram uma elevação de 0,63% neste mês na origem, depois uma deflação de 0,95% em janeiro, conforme o IGP-M.
Esses preços mostram mercadorias adquiridas com valor maior nas semanas recentes. Segmento dessa elevação no atacado ainda vai resultar em repasse para o consumidor.
Boa segmento dos preços no campo, no entanto, estão em queda, valores que ainda vão chegar às indústrias e aos consumidores.
Até o café terminou o mês com valor subalterno ao do mês imediatamente anterior no campo, o que não ocorria há 12 meses seguidos. A safra brasileira está chegando, e o mercado fica melhor fornido. Os preços internos vão depender ainda dos do mercado internacional, que também tem oferta maior de moca devido à recuperação de produção de outros fornecedores mundiais, porquê o Vietnã.
O seguimento quotidiano do Cepea indica que o arroz termina o mês com queda de 10%, com base em valores praticados até essa quarta-feira (26).O cereal entra na temporada de colheita, e os dados finais do Irga (Instituto Riograndense do Arroz) indicam que a extensão semeada foi maior do que se esperava.
Com isso, a safra do Rio Grande do Sul vai permanecer supra do esperado, superando 8 milhões de toneladas. A vernáculo sobe para 11,8 milhões, segundo a CNA (Confederação da Cultura e Pecuária do Brasil).
O feijoeiro, também com boa oferta na primeira safra, mantém preços estáveis no campo. Boi gordo acaba o mês com queda de 4%, e a laranja tem recuo de 14%. Ainda estão nessa lista de quedas, açúcar, leite, e mandioca.
Um dos principais pontos de reparo é o milho, que subiu 16% no mês, segundo o Cepea. Estoques reduzidos e demanda aquecida mantêm os preços em subida nas áreas produtoras.
O aumento do milho dá novos rumos também às proteínas. A caixa de ovo branco com 30 unidades em Bastos, importante região produtora de São Paulo, termina o mês em R$ 210, com subida de 21% em 30 dias. O reunido do ano chega a 46%.
A carne suína chega a 17% de elevação em fevereiro nas granjas, e a de frango, a 2%. Soja, com a safra recorde, não tem muito espaço para subir, e o trigo, em período de decisão dos produtores sobre a extensão a ser plantada, reflete os preços em subida do mercado internacional. A tonelada termina o mês com elevação de 4%, segundo o Cepea.
O IGP-M deste mês mostra que moca em grão e ovos estão no topo das pressões inflacionárias no atacado, com altas de 13% e 22%, respectivamente.
Entre as baixas no atacado aparecem soja, mesocarpo bovina, laranja e óleo de soja. No Índice de Preços ao Consumidor do IGP-M, o refrigério nos preços vem de arroz e batata.
O IGP-M (Índice Universal de Preços – M) subiu 1,06% em fevereiro, supra do 0,27% de janeiro. No reunido do ano, a taxa é de 1,33%, chegando a 8,44% em 12 meses.
A pressão maior no atacado vem dos produtos agropecuários, que ficaram 16,82% mais caros nos últimos 12 meses. A subida dos produtos industriais foi de 7,31% no mesmo período.