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A expansão e as disparidades no ensino superior – 27/02/2025 – Priscilla Bacalhau

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Duzentos e três milhões de pessoas. Esse é o número de habitantes no Brasil, segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE. Agora, dados recém-divulgados trazem informações detalhadas sobre o aproximação à educação dessa população. Entre os 133 milhões de adultos com 25 anos ou mais —dois terços do totalidade—, 18,4% possuem ensino superior completo. Essa proporção é quase três vezes a registrada no Recenseamento de 2000.

Os números recentes revelam uma expansão significativa do ensino superior, mas também evidenciam disparidades persistentes. As diferenças regionais são notáveis: no Meio-Oeste, 21,8% da população com 25 anos ou mais concluiu uma graduação, oferecido impulsionado pelo Província Federalista, onde a taxa atinge 37%. As regiões Sudeste e Sul apresentam índices semelhantes ao do Meio-Oeste, enquanto no Setentrião e no Nordeste a proporção não chega a 15%.

As desigualdades raciais são ainda mais marcantes. Em 2022, unicamente 12% da população preta e parda havia concluído o ensino superior —menos da metade do percentual de brancos (25,8%) e muito aquém da população amarela (44,1%).

A discrepância é ainda maior em determinadas áreas do conhecimento: em medicina, economia e odontologia, três em cada quatro formados são brancos. Já em serviço social e formação de professores, a proporção de brancos cai à metade.

Apesar dessas desigualdades, os avanços são evidentes. Hoje, a proporção de brancos com ensino superior ainda é o duplo da de pretos e pardos, mas, em 2000, essa diferença era de cinco vezes. Foram necessárias duas décadas para que pretos e pardos atingissem o percentual que os brancos tinham no início do século (10%). A ampliação do aproximação nesse período decorre de múltiplos fatores, principalmente de políticas públicas que facilitaram a ingressão de grupos historicamente excluídos da ensino superior, porquê políticas de cotas, Fies, Sisu e Prouni.

Os números mostram que, no Brasil, nascer branco ou amarelo ainda significa ter mais chances de cursar uma graduação. Ainda há muita desigualdade no aproximação, de forma sistêmica. Além do aproximação, há desafios na permanência e na desfecho dos cursos. Muitos estudantes abandonam a graduação devido ao desalinhamento com o mercado de trabalho ou dificuldades financeiras. Essas diferenças não são meras preferências individuais, mas revérbero da falta de oportunidades e da baixa qualidade da ensino básica.

Ampliar o aproximação ao ensino superior, porquê demonstrado pelo Recenseamento, é um passo importante, mas insuficiente. É preciso discutir, principalmente, a qualidade da ensino oferecida. As desigualdades não se restringem ao ensino indispensável —elas persistem no ensino superior. Um exemplo simples disso são os milhares de formados em recta que não conseguem aprovação no inspecção da OAB.

A democratização da ensino no Brasil avançou, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Reduzir desigualdades estruturais exige não unicamente ampliar o aproximação ao ensino superior mas prometer que todos, independentemente de cor, origem ou requisito social, tenham os meios para concluir a formação e usufruir de um ensino de qualidade e de seus benefícios de maneira justa.


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