As pessoas deveriam escutar as palavras sobre o hediondo racismo ditas por Roger Machado posteriormente o jogo contra o Bahia, no lugar de ouvir os midiáticos e repetitivos discursos. Roger termina falando que quando não houver nenhum caso noticiado não significará que acabou o racismo, unicamente ficará letargo, pois existe há mais de 500 anos. O racismo precisa ser educado e severamente punido.
O melhor jogo da primeira rodada da Despensa Sul-Americana e da Libertadores foi entre Bahia x Inter. Poucas vezes vi substituições tão ruins e confusas porquê as do técnico Ramón Díaz na itinerário do Corinthians para o Huracán. O Flamengo mostrou novamente que o elenco não é tão bom quanto dizem.
Repito, o que ficou mais evidente posteriormente a primeira rodada das duas competições é que muitos times brasileiros ainda não incorporaram, de rotina, as transformações positivas na maneira de jogar que ocorreram nos últimos tempos no futebol mundial, porquê o jogo intenso, a marcação por pressão, a compactação entre os setores e outros detalhes.
Existem muitas distorções sobre o que é ultrapassado, moderno e modismo. Os volantes atuais que marcam, constroem e avançam com talento, ainda poucos no Brasil, não são modernos, são excelentes. No início do futebol, os times jogavam com dois zagueiros, três médios e cinco atacantes. O meio médio era geralmente o craque do time. Marcava e apoiava com belos e eficientes passes. As coisas vão e voltam.
Quando um jogador atual ocupa mais de uma posição e tem mais de uma função em campo, dizem que ele é moderno. Zagallo, nas Copas de 1958 e 1962, e Rivellino, no Mundial de 1970, eram pontas esquerdas e armadores. Formavam um trio no meio campo com outros dois jogadores e avançavam pelas pontas.
Hoje, é chamada de moderna a equipe que marca e ataca com muitos jogadores. Não é moderna, é uma grande equipe. Na Copa de 1970, no segundo gol do Brasil contra o Uruguai, quando o jogo estava difícil e empatado por 1 x 1, o Uruguai avançou e os três atacantes do Brasil (Pelé, Jairzinho e Tostão) recuperaram a esfera no próprio campo, trocaram passes e Jairzinho foi receber na intermediária do Uruguai para daí chegar ao gol. Hoje diriam que foi uma lição moderna de contra-ataque.
Os grandes e atuais times marcam por pressão em todo o campo. Na Despensa de 1974, a Holanda encantou o mundo com a mesma postura. Posteriormente a Despensa, essa marcação não se tornou frequente porque os jogadores não tinham condições físicas para executá-la. Hoje, o preparo físico é muito melhor, porém muitos treinadores não gostam porque morrem de pavor de progredir a marcação em conjunto e deixar muitos espaços na resguardo. O Brasil assistiu à Argentina trocar passes e lucrar com facilidade o jogo.
A compactação entre os setores é um grande progressão, mas no Brasil os zagueiros continuam colados à grande superfície, longe do meio campo, que está também sempre longe do ataque. Apesar dos riscos, é bonito e eficiente ver o Barcelona jogar, com os defensores na risca do meio campo. A intervalo entre o zagueiro mais recuado e o atacante mais avançado é pequena.
O que é moderno hoje pode ter sido considerado ultrapassado. Os grandes times e craques do futebol e de todas as áreas não são antigos nem modernos. São definitivos.