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Sarau da Vocábulo de Elisa Lucinda traz cultura decolonial – 04/04/2025 – Walter Porto

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Um novo festival literário, a Sarau da Vocábulo, vai aportar pela primeira vez entre os dias 21 e 24 de maio em Itaúnas, muito ao setentrião do Espírito Santo, com uma particularidade: tem tanto interesse na termo escrita quanto na falada.

É que o evento, que já teve um “test drive” virtual lá em 2021, durante a pandemia, quer oferecer palco às literaturas decoloniais, com raízes na negritude e nos povos originários. São culturas que têm sua base na oralidade, e isso não escapa à programação pensada pela curadoria.

“Será uma grande sarau que propõe ler a vida”, diz a atriz e escritora capixaba Elisa Lucinda, que assina a direção artística do evento e é responsável pela teoria de realizar um festival literário à tendência da paratiense Flip no seu estado natal.

Itaúnas, cidade paradisíaca encravada entre dunas, mata e litoral a menos de dez quilômetros da mote com a Bahia, era o refúgio onde Elisa ficava reclusa para grafar. O festival, segundo ela, funciona também uma vez que um jeito de retribuir à comunidade —e seduzir novos leitores.

“Haverá leituras dramáticas para apresentar ao público as obras dos autores”, diz a curadora mineira Guiomar de Grammont, que comanda o Fórum das Letras em sua Ouro Preto natal e foi responsável por programar a homenagem ao Brasil no Salão do Livro de Paris em 2015. “A teoria é que seja uma lição de literatura viva, alguma coisa que não costuma ter nas escolas.”

A programação gratuita acontecerá sobretudo na terreiro principal da cidade, trazendo autores uma vez que Itamar Vieira Junior, Ailton Krenak, Eliana Alves Cruz, Kiusam de Oliveira e a cubana Teresa Cárdenas. Escritores locais também serão destacados nos palcos, em um Espírito Santo que costuma se ver alijado de agendas literárias desse tipo.

“Quando eu era moçoilo, não conhecia nenhum jornalista”, diz Elisa Lucinda, filha célebre do estado, que estará ela mesma no programa lançando o caprichado “Quotidiano do Vento” pela editora Malê. “Por muitos anos, eu frequentei festas literárias em que era a única negra”, lembra a poeta de 67 anos.

Hoje, quando o mercado já é outro, a Sarau da Vocábulo nasce afinada a uma contemporaneidade que, segundo ela frisa, tem menos a ver com estratégia política do que com a urgência de ouvir vozes preciosas que se perderam pelo tempo.

ANDARILHOS Já o novo festival Poesia no Centro, que acontece de 16 a 18 de maio em São Paulo, vai organizar um rotação de encontros e atividades em endereços da região meão que incluem livrarias de rua e espaços diversos uma vez que o Museu Judaico e o Museu da Língua Portuguesa. Haverá, por exemplo, uma oficina no Sesc Consolação para elaborar uma adaptação ao teatro de “Asma”, de Adelaide Ivánova, e um roteiro a pé, partindo da Livraria Eiffel, para festejar os 50 anos do “Poema Sujo” de Ferreira Gullar.

ESCRIVANINHA O novo selo Inglesa, que acaba de lançar sua edição da peça “Freshwater”, de Virginia Woolf em paralelo à que saiu pela editora Nós, guarda boas novidades para os próximos meses. Com curadoria de Nara Vidal e focado em autoras anglófonas traduzidas por mulheres, o selo publica em junho uma coletânea de contos de Edith Wharton, do romance “A Era da Inocência” e, em setembro, lança as cartas de viagem de Mary Wollstonecraft —as traduções são de Vidal e de Paula Roble, nesta ordem.


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