Conecte-se conosco

Esporte

‘Precisamos reflorestar a imaginação pública brasileira’

Published

on



Produtor, roteirista, responsável e diretor, M.M andou se dedicando nos últimos meses a viver com estes brasis que insistem. Mergulhou nas festas tradicionais de todos os cantos do país para entendê-las mais e melhor. Não só intelectualmente, porquê fazem muitos, mas entender se reencontrando com o espírito das coisas que o país é e faz. Mas que se esquece rápido. Me explicou assim, quando eu perguntei por um exemplo do tradicional esquecimento pátrio:

“Nós temos uma das maiores manifestações religiosas do planeta, o Vela de Nazaré, que tem 231 anos. E a gente fala pouco sobre isso. Quase não conta essa história para nós mesmos e para o mundo.” E cá, mais um ponto importante dessa nossa conversa: o Brasil que, reconhecendo os brasis, precisa mesmo e urgentemente se fofocar ao mundo porquê um dos poucos e últimos espaços em que a esperança é um hábito inabalável. Do contrário, quem explicaria o que levante povo faz com materialmente tão pouco?

“Porquê é que a gente, porquê indústria, conseguirá cevar a mente e o coração dos brasileiros e do mundo?”, se perguntou algumas vezes durante o papo. E ele mesmo responde. Às vezes, assim: “As histórias que eu tenho ajudado a recontar têm mostrado outras possibilidades de Brasil”. E às vezes, assim: “Eu quero terminar de ouvir uma história sobre alguém que se parece comigo e pensar: por que eu não escutei isso quando eu tinha 15 anos?”. Para isso ocorrer, ele diz, é preciso mais investimento em quem, quase nunca, é narrado.

Racontar histórias que reflorestem a imaginação pública brasileira é o jeito que M.M encontrou para explicar o trabalho que vem fazendo, todos estes anos. Disse que, toda vez que mergulha em um projeto novo ou vê brotando alguma teoria em si mesmo, fica se perguntando que tipo história aquela história vai recontar para a esperança das pessoas. Exemplificou isso numa das audiosséries que produziu recentemente.

Em “Depois Que Tudo Mudou”, disponível no Globoplay, ele mexeu nas expectativas de papeis que a sociedade já tem sobre determinados corpos. Deslocou dores de lugar para desbanalizar o sofrimento, sempre esmagando as mesmas pessoas de sempre. Para não repetir o clichê que diz, geração depois de geração, que somente alguns terão a felicidade do paixão mágico dos contos de fadas porquê um recta. Não, a fantasia é recta de todo mundo. Um final feliz também.

“Muitos de nós não somos nem apresentados à possibilidade de estar de boas, de estar relaxado. Parece que as nossas histórias precisam ser o tempo todo sobre luta. Com pessoas se defendendo das violências do mundo”, diz M.M, que procura romper com essa teoria. Trazer outras camadas, outros conflitos humanos. “Prazer e diversão são revolucionários. Saber que podemos nos divertir, que podemos ser aceitos e podemos ser amados é evolucionário”. Assim, ele acredita, a gente vai banalizando outras coisas. A felicidade porquê recta de todos os seres, por exemplo.



Acesse a fonte

Continue lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Chat Icon