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O Estúdio: novidade série une paixão ao cinema e humor 5ª série – 03/04/2025 – Luciana Coelho

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“O Estúdio” é um atestado de paixão ao cinema que troca a visão romântica e saudosista (não se deixe enganar pela belíssima direção de arte) por ironia autodepreciativa e o reconhecimento cabal do momento que a arte passa. A melancolia que pode invadir cinéfilos diante dessa constatação é aplacada pela saturação de participações especiais de atores e diretores que acalentam nossos corações e cérebros.

A série, na Apple TV+, ainda tem só 3 dos 10 episódios no ar, todos a serem lançados semanalmente.

Além de se encarregar do protagonista, Seth Rogen assina roteiro, direção e produção ao lado de Evan Goldberg, seu parceiro desde “Superbad”. O humor de quinta série daquele filme, que o catapultou à glória, está presente cá, uma vez que também um sarcasmo agudo e um manancial de referências cinematográficas que tornam “O Estúdio” alguma coisa insuspeitamente peculiar.

Quem se alimentou nas últimas décadas do mesmo cinema que Rogen e Goldberg desfilam em cena obviamente apreciará mais as piadas (e achará referências uma vez que usar no possuidor do estúdio o mesmo nome do produtor interpretado de Tim Robbins em “O Jogador”, de Robert Altman, uma vez que apontou um cinéfilo voraz).

Há, porém, perdão para todo paladar, inclusive com a própria petulância dos que amamos a sala escura e a tela grande. E, evidente, humor físico, de quedas bobas a uma maravilhosa cena de desavença entre o protagonista e o direto Ron Howard.

À história: Rogen é Matt Remmick, um produtor alçado a diretor executivo dos tradicionais estúdios Continental. Antes uma usina de obras e cenas memoráveis, o conglomerado agora engaveta roteiros de Martin Scorsese para fazer blockbusters usando marcas comerciais. “Barbie”, “Lego”, exemplos não faltam, mas uma vez que nessa comédia tudo está muitos decibéis supra, a marca em questão é o Ki-Suco.

Remmick é o rosto encarregado de unir (com sentido, sem sucesso) Scorsese e o Ki-Suco.

Ao seu volta orbitam a antiga dirigente transformada em produtora peculiar (Catherine O’Hara, talvez o ser humano com melhor timing cômico na TV), seu VP (Ike Barinholtz), a diretora de marketing histriônica (Kathryn Hahn, com um figurino maravilhoso), a diretora criativa nerd (Chase Sui Wonders) e, a cada incidente, diretores e atores reais em uma versão caricaturesca de si próprios.

As cenas com Scorsese, Howard, Sarah Polley e outros são o ponto cima da série —isso e a deliciosa versão de Bryan Cranston para Griffin Mill, o todo-poderoso do estúdio fissurado pelo filme sobre o Ki-Suco.

É jocoso e às vezes dolorido, oferecido o paralelo com tantas outras atividades e profissões, contemplar a urgência de transformação do negócio que Remmick pilota, com um público cada vez menos paciente e de atenção fragmentada. A série, no entanto, evita tombar na autocomiseração, preferindo em vez disso uma visão mais animadora sobre mudanças e recomeços, encarnada na personagem de O’Hara.

É uma fábula sobre sonhos do tipo que Hollywood de quando em quando produz para se auto-homenagear, com recta a trilha sonora impecável e direção esmerada, mas embalada em um humor escrachado porém nunca vulgar para lembrar que sem numerário e clientes pagantes pouco se faz. Coisa fina.


A primeira temporada de “O Estúdio” está na Apple TV+, com três episódios já disponíveis e os outros sete lançados semanalmente às quartas


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