Conecte-se conosco

Esporte

Justiça para o motorista de aplicativo baleado por PM – 26/02/2025 – Thiago Esteio

Published

on



A cabeleireira Josilene da Silva Souza, 42, teria tido o seu celular roubado na Penha, zona setentrião do Rio, no último domingo (23). Na delegacia, Josilene e seu marido, o policial militar da suplente Carlos Alberto de Jesus, afirmaram que os assaltantes estariam em uma moto azul, o motorista com uma camiseta preta e outro com uma camiseta amarela. Duas horas depois, Carlos e Josilene encontraram duas pessoas em uma moto e o PM atirou contra elas.

O policial militar resolveu disparar contra o motorista de aplicativo Thiago Marques, que levava o estudante Igor Melo para mansão depois do trabalho, afirmando, primeiro, que nascente estava armado e, depois, mudando a sua versão, disse que pensou que ele estava armado. Nem Thiago nem Igor participaram de qualquer assalto —há provas para isso, uma vez que o vestuário de que Igor estava trabalhando no momento do suposto violação— nem a arma, nem o celular roubados foram achados com eles.

Mesmo assim, com o reconhecimento em um álbum de fotografias na delegacia, Igor e Thiago foram presos (depois soltos) e o PM e sua mulher não.

Está tudo aí nesse caso: a criminalização de pessoas pobres a despeito da patente falta de materialidade da denúncia; a autorização dada na prática às polícias, inclusive a agentes negros, para praticarem tentativa de homicídio de forma impune; o reconhecimento fotográfico indevido feito na delegacia com pessoas de características físicas semelhantes (codinome para negros e pobres); a desvalorização da vida humana diante da denúncia de roubo de celular.

Por trás do que poderia parecer somente mais um caso corriqueiro de violência está a síntese de um Estado que se sente autorizado a atirar e depois perguntar.

Referindo-se ao incidente em que um policial militar persegue, acusa e dispara contra duas pessoas em nome de sua mulher, o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro disse ao jornal O Mundo não se tratar de um caso de “justiça com as próprias mãos”. O vaia contra o saudação à lei está na arma do policial da esquina e na caneta do secretário de Segurança.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul inferior.



Acesse a fonte

Continue lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Chat Icon