Ao que parece, algumas ideias que eram consensuais há muito pouco tempo deixaram de o ser.
Por exemplo, a teoria de que a pornografia era para maiores de 18 anos. Ou a teoria de que as crianças não deviam falar com estranhos. Agora, é perfeitamente verosímil que um menor de idade esteja pacatamente no seu quarto, sozinho com o seu smartphone, com aproximação a milhões de filmes e em contato com milhões de desconhecidos. Surpreendentemente, isso não está fazendo muito à saúde dos jovens.
Continuo a atribuir o término daquele consenso ao magnificiência tecnológico. Uma vez que é que a internet e as redes sociais, esses milagres da tecnologia, podiam motivar dano? E, no entanto, parece que podem, segundo começamos a desenredar. O resultado mais fascinante da tóxica vida do dedo talvez seja o dos chamados “incels”, os celibatários involuntários.
São rapazes e homens que não têm sucesso junto das mulheres e decidem que a culpa disso é das mulheres. É um raciocínio maravilhoso, e eu gostaria de me ter lembrado dele em várias ocasiões da minha vida.
Eu tinha algumas dificuldades em matemática, e a culpa era, obviamente, da matemática. Não jogo muito muito esfera, e a culpa disso, verifico agora, só pode ser da esfera. Assim, tal uma vez que os “incels”, eu não teria culpa de zero. Não sei uma vez que é que não desconfiei disso. É óbvio que eu sou perfeito, e o resto do mundo é que está mal. Os “incels” fizeram essa invenção e, por isso, cultivam aquilo a que chamam masculinidade.
Eu sempre tive dúvidas acerca do que a masculinidade poderia ser. Estava convicto de que, sem querer ofender as mulheres, nós e elas éramos essencialmente iguais, tirando algumas diferenças anatômicas muito interessantes e enriquecedoras. De resto, creio, homens e mulheres são ambos capazes de tudo o que um ser humano é capaz. É por isso que, quando se diz que devemos ter mais mulheres no governo porque elas exercem o poder de forma dissemelhante, eu discordo.
Devemos ter mais mulheres no governo porque elas têm tanto recta a governar uma vez que os homens. No tirocínio do poder, sinceramente, não noto diferenças. Examinei o comportamento de Margaret Thatcher, Catarina 2ª da Rússia, Maria 1ª da Inglaterra, Imelda Marcos e Irma Grese, e sou incapaz de detectar nelas alguma propriedade salvífica.
Talvez os “incels” consigam, porque elas eram praticantes daquilo a que eles chamam masculinidade.