Conecte-se conosco

Esporte

Ameaças de Trump inspiram vaga de nacionalismo no Canadá – 26/03/2025 – Lúcia Guimarães

Published

on



No final do ano pretérito, a empresa de pesquisa Tourism Economics previu um desenvolvimento de 9% no turismo estrangeiro nos Estados Unidos. Em fevereiro, a previsão foi corrigida para uma queda de 5,1%, e há sinais de que o segundo prognóstico é otimista.

Uma tempestade perfeita de guerra comercial, detenções de viajantes com visto regular e ameaças de anexar territórios soberanos está provocando cancelamentos em volume nos planos de turismo de estrangeiros. Os chineses estão optando pela Austrália. Os europeus, ocupados em boicotar produtos americanos, já estão se afastando dos EUA, com a primeira queda no número de chegadas registrada em fevereiro.

Mas são os canadenses que puxaram a fileira do boicote mercantil e turístico, depois que Donald Trump passou a invocar seu país de 51º estado americano e a se referir ao agora ex-premiê Justin Trudeau uma vez que governador.

O Canadá cria mais empregos para americanos na indústria de turismo do que qualquer outro país. No ano pretérito, cidadãos do Canadá fizeram mais de 20 milhões de visitas aos EUA. E, devido ao rigor do inverno canadense, março é um mês em que as famílias aproveitam uma semana de férias escolares para fugir para temperaturas amenas de estados uma vez que a Flórida. A queda foi tão expressiva que empresas aéreas já reduziram o número de voos entre os dois países.

O boicote do Canadá foi encorajado pelo novo premiê, Mark Carney, por Trudeau e por governadores das províncias mais populosas. Supermercados passaram a realçar com rótulos produtos “made in Canada” e lojas de bebidas retiraram das prateleiras garrafas de vinho e uísque Bourbon americanos.

O sentimento antiamericano entre os canadenses cresceu depois do discurso de Trump ao Congresso no último dia 4. O sentimento anti-Trump é preponderante, e em entrevistas nas ruas de Toronto, Montreal e Vancouver é frequente o público fazer a elevação entre o presidente e o povo americano. Mas uma pesquisa no final de fevereiro já mostrava que 27% dos canadenses hoje veem os EUA uma vez que um “Estado inimigo”.

O pacífico Canadá é objeto de piadas e descrito com clichês pelos monoglotas vizinhos do sul. Trudeau deixou simples que a prenúncio de Trump é séria e que a intenção é prostrar a economia canadense. Mas parece que o presidente americano confunde cortesia com fraqueza.

Os europeus, horrorizados com a demolição da ordem internacional do pós-guerra arquitetada por seu não mais coligado, debatem, nas redes sociais, a ingressão do Canadá na União Europeia. A adesão seria tecnicamente impossível por motivos geográficos. Mas vale lembrar que Chipre, membro da UE e culturalmente europeu, é localizado na Ásia.

A linguagem agressiva de Trump tem feito do presidente um cabo eleitoral para os líderes liberais dos países que ele quer punir. Mas é no Canadá que ele provocou uma vaga de nacionalismo sem precedentes.

Há 25 anos, um comercial da cerveja Molson explorou brilhantemente os clichês usados pelos americanos para descrever o Canadá. Neste mês, o mesmo ator usado no mercantil da Molson se tornou protagonista de um remake para promover não a cerveja, mas o significado de ser canadense. Com o humor do país que mais exportou comediantes para os EUA, Jeff Douglas declara no vídeo: “Nós não somos o 51º coisa nenhuma.”


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul inferior.



Acesse a fonte

Continue lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Chat Icon